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criado por Deise Guelfi
16:33:03
eto era nordestino. 
criado por Deise Guelfi
16:30:38
Nossa estréia foi ousada. A primeira vez que pisamos no palco enquanto grupo (para alguns, a primeira vez enquanto ator/atriz), foi no II FESTCAL, Festival de Teatro de Campo Limpo, com gente "ban-ban-ban" do teatro (não a turma da "GLOBO", mas a turma que FAZ teatro). Sermos selecionados pelo Festival foi uma grande surpresa. Atribuimos isso ao texto, que com certeza foi primordial para a escolha. Tivemos sérios problemas, pois muitos nem conheciam coxia. Fomos muito bem recebidos. Éramos o único grupo "realmente" amador. Fomos tratados como profissionais, como gente. A bancada de júri foi espetacular conosco, dissertando sobre nossos erros com o maior carinho que já vi, quando se trata de "bancada de júri". Tivemos 140 pessoas assistindo. Por fim, fomos premiados com "Ator revelação", que era uma das árvores. O FESTCAL nos abriu portas, e fomos convidados para o VOCACIONAL APRESENTA, TODA TERÇA TEM TEATRO. No Centro Cultural da Juventude tivemos uma platéia de 30 pessoas, todas adultas. E a repercursão foi imensa. Algumas pessoas nos deram telefones pois queriam ver um trabalho adulto nosso. Depois, estivemos no Teatro Alfredo Mesquita, com uma platéia pequena, em razão da reforma do estabelecimento. Mas o que ouvimos lá ficará guardado para sempre. Um pai nos disse que era a primeira vez que seu filho via "teatro", e ele estava feliz porque a primeira peça do seu filho ficaria na história de vida de sua família, não só pela belíssima apresentação, como pelo conteúdo do texto. Já no Teatro Cacilda Becker, tivemos uma platéia de aproximadamente 130 pessoas. Imaginem o debate depois do espetáculo. No Teatro Martins Pena, nossa platéia foi de 180 pessoas. E conseguimos formar um público próprio, que nos segue. Apresentamos Pinóquio no Dia das Crianças para a Associação de Moradores de Vila Sapopemba, com 100 crianças assistindo. Foi maravilhoso. Depois, fizemos uma apresentação ao ar livre, no Sacolão de Sapopemba, com 150 crianças assistindo. Nem Mastercard paga. 
criado por Deise Guelfi
15:45:09
A peça começa em uma floresta, em que as árvores conversam entre si. Esse foi o aspecto da montagem que realmente envolveu as crianças. A partir daí, a atenção era absolutamente nossa. Em nossa montagem não tinha apenas uma fada, tinham duas: uma aprendiz e uma orientadora, para dar a relação da criança com o adulto. Essa fada aprendiz, ao ir estudar magia para as provas da Confederação das Fadas na floresta, por inexperiência, encanta uma das árvores. E é ai que começa a trama. Em seguida, aparece Gepeto, que busca um "pedaço de madeira" para fazer um boneco. Com isso, conseguimos trazer um pouco de ecologia e desmatamento, porque Gepeto deixa claro que não quer cortar uma árvore, e sim está procurando um pedaço de madeira. Em razão da magia, a árvore encantada fica solta de seu lugar, e Gepeto vê aí sua oportunidade e leva a madeira para casa. A aprendiz que já travou conhecimento com o Grilo, corre atráz de Gepeto para consertar o que fez. Quando chega lá, o boneco está construído, porém com vida por causa da magia. Como ela não pode devolver a árvore daquele jeito, nem tirar a vida do boneco porque essa vida é da árvore, ela não vê outra solução, senão transformá-lo em menino. Nesse interím, a Fada Orientadora aparece várias vezes para orientar a aprendiz, ensinado-a a trazer o amor para tudo o que faz atraveś de uma marca pessoal. Nosso intuíto com isso era mostrar para a criança que ela pode ter prazer nas obrigações colocando em seus afazeres sua personalidade, seu jeito de realizar as tarefas. Além do Gato, da Raposa e do Dono do Teatro de Bonecos, incorporamos à história dois meninos que desviam Pinóquio da escola, demonstrando assim que as crianças precisam ter cuidado com os "amigos". Inserimos um duende na floresta que mudava o dia para a noite e vice-versa, que acabou nos surpreendendo com sua função, pois a cada troca do tempo, o duende criava uma espectativa gigantesca nas crianças. Por fim, tinhamos um peça infantil com 1 hora e 15 minutos, e que segurava as crianças até o fim. Foi uma experiência fantástica, pois quando íamos apresentar, os responsáveis do espaço ficavam admirados ao ver que as crianças ficavam quietas, em silêncio e atentas durante todo esse tempo.
criado por Deise Guelfi
15:05:40
Uma das grandes lacunas que encontramos na Fábula foi o porquê de tudo. Faltava um motivo real para que o boneco exitisse. Na versão original de Collodi, embora tenhamos descoberto que a madeira utilizada para a construção do Pinóquio foi encantada por uma fada chamada Fada Azul, a história não explica porque essa bendita Fada o fez, assim como também não explica o porquê essa madeira foi parar nas mãos de Gepeto. A madeira simplesmente "escapoliu" de uma caminhão após ter sido encantada e "correu" pela cidade toda parando na porta da casa de Gepeto. Para nós, que iríamos trabalhar com crianças, o fato de uma fada encantar uma madeira sem nenhum motivo era estranho. E porquê essa madeira encantada escolheu Gepeto também não tinha sentido. De acordo com o Psicólogo Newton Lucci, que nos orientou quanto ao comportamento infantil, a criança estabelece uma relação bastante intensa entre seu mundo imaginário e o real. Se o real não tiver sentido, ela busca sentido no imaginário, e com isso deturpa sua visão do mundo. É preciso que se estabeleça para a criança em desenvolvimento uma linha de raciocínio; se ela não tiver isso, danou-se. E é o que acontece com a maioria das crianças hoje em dia. Na versão de Collodi, Gepeto era carpinteiro e fazia trabalhos de molduras para fotos, entre outras coisas. Já na versão de Disney, Gepeto era construtor de relógios e bonecos, daí a ligação para a construção do boneco. E a Fada Azul resolve agraciar Gepeto dando vida à Pinóquio, não só porque ele era sozinho e queria um filho, mas também porque o homem era bom e divertia as crianças com suas criações. E aí vai. Assistir os filmes e ler os livros foi uma experiência incrível, pois percebemos a riquesa da história que simplesmente ficou negligenciada. Da melhor forma possível, procuramos preencher essas lacunas e dar um sentido mais real ao mundo imaginário de Pinóquio.
criado por Deise Guelfi
14:45:52